Programa Vida Nova tem mais um projeto contemplado pelo Criança Esperança

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“Meus Sonhos no Ateliê” promove oficinas de cursos profissionalizantes para adolescentes em situação de vulnerabilidade social

FAIXADA VIDA NOVA

Este foi o terceiro projeto do Programa Vida Nova (Associação Precavi) contemplado pelo Criança Esperança. Antes, a instituição foi assistida com o projeto Dedo no Livro e, o primeiro foi uma Brinquedoteca. Ambos frutos de uma luta árdua, uma vez que, todos os anos Nilse Claudete Carvalho – diretora do Vida Nova e sua equipe, busca participar de seleções de instituições que promovem subsídios para ONGs, que cuidam de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social. “Todos os anos concorremos, só que não ganhamos todos os anos, lógico que não”, diz em risos, Claudete.

Meus Sonhos no Ateliê atende 200 jovens e adolescentes com oficinas de manicure, pedicure, informática, corte e costura, pintura em tecido; além da assistência de uma psicóloga. O projeto objetiva diminuir a vulnerabilidade social de jovens que ficam ociosos no contraturno escolar por falta de atividade, ao mesmo tempo em que propicia a inserção desses jovens no mercado de trabalho.

Para Claudete Carvalho a contemplação do projeto é como ganhar um prêmio de um campeonato. “Nós sabemos que as ações que fazemos são importantes. Mas ser avaliado por uma equipe que analisa tecnicamente é como ganhar um campeonato, uma medalha de ouro e, o festejar não é só para nós, é socializado junto com a comunidade através do projeto ganho. E para a equipe Precavi, é um constante aprendizado a elaboração de projetos; é você sonhar com a comunidade; é acreditar que as crianças, jovens e adolescentes vão usufruir daquilo e que será significativo para sua vida, pois vai dar uma transformação social. Porque você não muda a sociedade, muda a pessoa; a pessoa é que incide na sociedade”.

O início

E lembrar que tudo começou quando a jovem da pastoral da criança (a Irmã Claudete) disse que não queria mais ver crianças morrerem em Fortaleza dos Nogueiras por desnutrição, como aconteceu nos idos de 1998. “Chegamos a inscrever a criança no então projeto Vida Nova para ser atendida, não deu tempo, a criança veio a óbito. Aquilo provocou uma ira dentro de mim. Então disse: eu não quero ver mais isso acontecer aqui”.

No início, conta Claudete, era apenas não ver mais a desnutrição ceifar vidas de crianças. “Era sairmos nas casas, pedir alimento, e ter um pequeno local onde oferecer essa comida para as crianças e, só não as ver morrer mais”.

Ela nunca pensou que seu não à desnutrição daqueles pequeninos culminaria num programa de atendimento a crianças em Fortaleza dos Nogueiras. Ela nunca pensou num Programa Vida Nova.

Dificuldades e desânimo

E foram muitos percalços, lutas árduas e trabalho incessante. Por vezes, um pequeno desânimo, próprio da condição de humana. Mas logo resolvido com uma oração-conversa de súplica por misericórdia ao Todo Poderoso. “Eu lembro que eu acendia uma vela e dizia: Deus, se este projeto não é teu, acabe logo, não deixe a gente com esperança, mas se for teu, dê um sinal. E no outro dia aprecia uma lata de óleo, um quilo de açúcar, coisas assim”, conta Claudete com visível emoção.

Ela lembra quão difícil era trabalhar um dia para garantir o outro. “Antes nós trabalhávamos de um dia para o outro. Saía a pedir hoje para ter um pouco de arroz, feijão para as crianças ao meio-dia; ou saíamos hoje para amanhã ter ao menos para começar o dia”.

Hoje, uma Vida Nova

A Associação Precavi como Programa Vida Nova e o Centro Cultural de Educação Sócioprofissional Miguel Dell’Acqua atendem 945 crianças e adolescentes. E trabalha de um ano para o outro, ou seja, tenta projetos este ano para garantir o próximo. “Hoje trabalhamos com algumas empresas. E a nível de pareceria com o governo, trabalhamos já com quatro anos [referindo-se ao subsídio da prefeitura municipal].

Hoje pode-se dizer que a instituição saiu do patamar de micro para macro. “Mas ela não perde o micro, aquele pedido individual, aquela valorização que chega, na doação de uma abóbora, macaxeira, etc”, ponderou Claudete. “Porque aquilo que deu início; da solidariedade de pessoas e famílias, ela nunca pode ser perdida; porque ela é quem dá razão de ser aqui na comunidade. Para nós não adiantaria nada sermos vistos lá longe, em São Luís com o projeto do governo do Estado, em Brasília com a Unesco, se aqui a comunidade não valorizasse, perderia todo o sentido”.

E o desejo forte daquela jovem de não ver mais crianças morrem por desnutrição, moldou o coração de tanta gente; provocou os sentimentos mais ternos no coração de tantas pessoas, tecendo a realidade de tal forma que muitos hoje, estendem as mãos e doam-se em amor ao próximo. E voluntariamente tornaram-se amigos do Vida Nova.

CLAUDETE SEGURANDO FOLHA

Hoje o sonho de antes é a realidade do prazer das rugas de Claudete Carvalho (foto), de olhar para trás e dizer: nós podemos muito mais quando nos dispomos em apanhar água na fonte e tentar apagar o fogo, ao invés de fugir da floresta incendiada.

 

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Alex de Brito Limeira é jornalista e escritor. Esteve sete vezes entre os melhores novos escritores do país em concursos literários promovidos por casas editoriais de São Paulo e Rio de Janeiro. Escreve poesias e ficção. Em Abril de 2011 lançou o romance O Crime da Santa. Foi repórter no jornal Folha do Maranhão do Sul, em Carolina – MA; Instrutor autônomo de redação discursiva e dissertativa. Em Fortaleza dos Nogueiras é pioneiro na comunicação social - jornalismo, ao fundar, editar e apresentar o Jornal da Cidade, na rádio Cidade FM de 2003 a meados de 2004. Em seguida fundou a Gazeta Sul Maranhense (Fortaleza dos Nogueiras e região) e o site Gazeta OnlineG, ambos em ampla expansão.